A pessoa que eu amo tem TDAH. E agora?

TDAH e agora?

“Esqueci, meu amor, me desculpe”. “Você me ajuda a lembrar disso?” Estas são frases que ouço quase que diariamente, há pouco mais de um ano. Sim, há pouco mais de um ano sou casada com um homem que tem TDAH. Falando assim, pode parecer difícil a convivência com alguém que aparentemente vive com a cabeça a mil por hora, mas gostaria, neste artigo, de compartilhar experiências da nossa vida e como fazemos para lidar com situações que com certeza são mais difíceis para ele do que para mim.

Logo no início do nosso relacionamento, estávamos e uma livraria e ele veio com o livro “Mentes inquietas”, da Ana Beatriz Barbosa Silva. Ainda ali, leio na contracapa do livro: “Desorganizados, impulsivos, desatentos e com excesso de energia”. Que difícil deve ser, pensei! E o livro se tornou pauta para muitas conversas em casa. Fizemos juntos um teste proposto pela autora e confirmamos que ele é 101% TDAH!

A aceitação do transtorno, de ambas as partes, nos faz compreender que as dificuldades que ele enfrenta não são fruto de quem não tem interesse ou capacidade intelectual, muito pelo contrário, mas sim de quem realmente precisa de um tratamento para ter qualidade de vida.

E na soma tratamento + amor, temos algumas dicas para compartilhar:

1. Ele sempre me disse que a criação de rotinas o ajuda.

2. Em casa, temos um painel na geladeira para anotar pendências que precisam ser resolvidas. Funciona 😉

3. Procuro externar a minha organização na nossa casa e o ajudo a manter suas coisas organizadas. Isso na verdade é uma necessidade minha, e não faço do ato diário de guardar seu pijama ou suas roupas um fardo para mim.

4. Sei que ele faz listas de coisas que precisam ser feitas e que isso funciona para ele. Na lista, estão coisas simples como “ligar para Fulano, comprar tal coisa”. O filho dele tem TDAH e a estratégia da lista está sendo estendida a ele, com tarefas simples que ele deve cumprir e percebo que funciona também.

5. Sou a responsável pelo pagamento das contas e encaro isso como algo que faço para nós, assim como ele também faz outras coisas pelo casal.

6. Quando estamos saindo de casa, é comum um check list: Pegou o celular? A chave do carro?

7. Uma característica dele é querer fazer mil coisas no mesmo dia… eu rio e falo que “vai faltar dia para tanta atividade” e tento organizar com ele nossa programação.

8. Sei que para ele é importante praticar atividade física e o quanto uma ida ao parque o deixa feliz.

9. Procuro entender seu hiperfoco quando ele passa horas trabalhando no computador sem sequer levantar da cadeira.

10. Estou escrevendo este artigo a pedido dele. Ontem, quando mencionei o assunto, ele disse: que artigo é esse? Eu apenas ri e falei que isso estaria presente no texto. É ou não é 101% TDAH?

Por fim, se eu pudesse dar um único conseho a você que tem um relacionamento com um portador de TDAH, o conselho seria: aja com amor e alimente sua autoestima. Quando um TDAH está com a autoestima alta, ele é capaz de alcançar voos inacreditáveis.

* A identidade da autora do texto será mantida em sigilo para preservar o casal, mas você pode me chamar de “uma apaixonada por um TDAH”.

12 comentários a “A pessoa que eu amo tem TDAH. E agora?”

  1. Olá! Não tenho diagnóstico de TDAH, e pra dizer a verdade não sabia que adutos podiam ter esse transtorno. Ao longo dos meus 28 anos de vida, venho travando diariamente uma batalha comigo mesma. A cada ano que passa me convenço mais e mais de que sou uma pessoa desregulada e pouco produtiva. Hoje por acaso, em mais uma de minhas pesquisas no Google perguntando algo como: “Por que não consigo fazer nada render”, encontrei informações a respeito de TDAH em adultos. Nunca tinha ouvido falar de algum adulto com isso. E aqui estou eu, desde as 10h da manhã lendo sem parar sobre algo que parece que foi inteiramente retirado do fundo da minha alma. Cada palavra usada para descrever o transtorno, principalmente essa parte do desatento, é tudo o que eu venho tentando entender e explicar sobre mim mesma e nunca consegui. Confesso que estou emocionada de saber que isso pode ser tratado. Já não via mais esperanças para mim. Gostei muito do site, dos artigos, muito bem explicados e acessíveis para quem é leigo no assunto, como eu. Muito obrigada. E agora vou atrás e ajuda, espero conseguir pelo SUS. Inclusive se tiver alguma indicação de que caminho seguir para conseguir atendimento para chegar a ter um diagnóstico e um tratamento pelo SUS, eu fico muito grata!

    1. Olá Mariana.
      Primeiramente me desculpe pela demora.
      Eu, como um “bom” TDAH, sempre estou fazendo várias coisas e acabo deixando algumas para trás. Ainda mais no período de férias. 😉
      Entendo perfeitamente quando você falou “estou emocionada de saber que isso pode ser tradado”.
      Foi exatamente o que aconteceu comigo e já vi diversos relatos de pessoas com o mesmo sentimento.
      Com certeza existem profissionais no SUS que vão poder te orientar.
      Sobre indicação de caminho seguir, o que posso sugerir é que busque ajuda profissional o quanto antes e siga a orientação deles. Não fique seguindo somente o que encontra na internet.
      Existem vários profissionais que você pode procurar como médicos psiquiatras e neurologistas.
      Acredito também que, após a orientação deles, vale a pena buscar ajuda com psicoterapeutas.
      Muitas pessoas nos pedem indicações, mas infelizmente nós não recomendamos nenhum profissional.

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      Boa sorte e obrigado pela sua participação.
      🙂

  2. Estou namorando uma pessoa com TDAH , ele me mandou esse artigo ! Vou procurar entender e ajudá-lo mais ! Obrigada!

    1. Olá Neide,
      Obrigado por compartilhar conosco.
      Quando conheci minha esposa eu também fiz a mesma coisa.
      Dei alguns materiais para ela ler, para que ela pudesse me entender melhor.
      Tenho certeza que muitas pessoas tem situações parecidas.
      Obrigado pela sua participação.
      🙂

  3. Oi querida.
    Sou noiva de alguém que tem Tdah e muitas das barreiras do transtorno tornam a nossa vida um.pouco mais tensa de tempos em tempos. As vezes me sinto sufocada porém é necessário muita paciência pra entender que muitas vezes não eh culpa dele…

    1. Olá Mariana,
      Obrigado por compartilhar conosco.
      Com certeza não é culpa dele, nem de ninguém.
      Quem tem TDAH não escolhe nascer assim. 😉
      Espero que vocês consigam encontrar meios e muuuiiita paciência para fazer dar certo o relacionamento de vocês.
      Saibam que vocês não são os únicos e que, se realmente existe amor, vale muito a pena.
      Tenho certeza que muitas pessoas tem situações parecidas.
      Obrigado pela sua participação.
      🙂

  4. Sou casada com um TDAH a dezenove anos e so descobri quando nosso filho foi diagnosticado com o problema. Isso ajudou muito a entender melhor as atitudes do meu marido. Nao e facil a convivencia com os dois ,mas nada como entregar nas maos de Deus , ter paciencia e muito AMOR para superar qualquer duficuldade .

    1. Olá Silvana,
      Obrigado por compartilhar conosco.
      Tenho certeza que muitas pessoas tem situações parecidas.
      Obrigado pela sua participação.
      🙂

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